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Auto-emprego

Projecto “Meu Primeiro Negócio” beneficia 100 empreendedores no Sambizanga

Redacção
7/8/2017

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Numa iniciativa da administração do Sambizanga e parceiros, cerca de cem pessoas foram agraciadas com meios informáticos, apoio financeiro e espaço para iniciar o primeiro negócio, naquele distrito urbano, no âmbito de um projecto de empreendedorismo.

Trata-se do “Meu Primeiro Negócio”, iniciativa esta que integra um pacote de 10 projectos sociais que fazem parte do programa “Sambizanga em Movimento”, lançado a 19 de Outubro de 2016, durante o primeiro conselho de auscultação e concertação social, que visa promover a união entre os munícipes, as boas práticas, resgate de valores, o patriotismo, o incentivo ao empreendedorismo e a cultura, como adiantou a administradora do Sambizanga, Milcar Caquece, citada pelo jornal Nova Gazeta.

Segundo a responsável, esse projecto vem apoiar o empreendedorismo, o desenvolvimento da capacidade empresarial e visa lançar iniciativas que vão fazer com que aqueles empreendedores que já fazem o seu negócio, mas de forma desorganizada, possam organizar-se, tendo garantido que “um dos principais objectivos é tirar as mamãs e o jovens da venda ambulante e ensinar-lhes a organizar melhor o negócio”.

Para além de capacitar vendedoras e jovens empreendedores, a instituição entrega meios técnicos, como computadores, para aqueles que têm mostrado interesse em trabalhar em casa, fazendo cartões-de-visita e outros serviços relacionados à informática.

Entretanto, Milcar Caquece disse que, juntando as zungueiras e os rapazes que receberam computadores e outros apoios, já quase cem pessoas, entre jovens e mulheres, foram beneficiadas, e esclareceu ainda que o projecto é financiado por particulares.

“O projecto não é financiado com o dinheiro do Estado, mas com o de empresários locais e não só”, ressalvou.

No âmbito do “Meu Primeiro Negócio”, já se fazem várias iniciativas, como o lançamento da “Laranja Gigante”, que comporta um gerador, uma arca frigorífica, uma máquina de fazer sumos e uma quantia em dinheiro para começar o negócio.

A primeira unidade está localizada no largo São Paulo, e foi contemplada a Manuel Adão, de 23 anos. Segundo o beneficiado, que recebeu uma formação básica sobre empreendedorismo para poder administrar o que vai ganhar daqui para frente, a “laranja” e os meios que a compõem foram-lhe oferecidos, daí que não será necessário reembolsar os valores que recebeu da administração.

Outro caso é o de Teresa Quinhinga, que vendia ouro brasileiro e português na zunga, no mercado do São Paulo e arredores, há pouco mais de dois anos.

Recentemente, isto há quase dois meses, Teresa e colegas viram o “sofrimento” acabar, após terem sido chamadas pela administração do São Paulo, para uma formação sobre empreendedorismo. Desde então, mais de 80 vendedoras receberam formação e espaço no mercado do São Paulo para poderem vender confortavelmente, ficando apenas obrigadas a pagar uma taxa diária de 100 kwanzas.

“Antes, vendíamos na rua e era corrida a toda hora com os polícias e fiscais. Depois de receber a formação, com o apoio da Administração do Sambizanga, em parceria com a Paróquia Dom Bosco, comecei, com muitas outras, a vender aqui dentro do mercado e estou legalizada”, relatou, tendo admitido que, apesar de ver mais lucro na zunga, sente-se mais confortável com a sua bancada no mercado, porque não tem tido prejuízos nem correrias, como outrora.

O acesso ao projecto é mediante o interesse e a capacidade do jovem residente naquela localidade.

“Temos trabalhado com as associações juvenis e também a própria Administração do Sambizanga tem identificado jovens pelo seu trabalho diário que fazem na comunidade. Sendo assim, não basta ter vontade, tem de ser um jovem dinâmico e potencialmente um dinamizador, porque conhecemos a comunidade e quem tem sido o primeiro nas actividades como as campanhas de limpeza. Estes sim precisam de ser apoiados”, referiu a administradora.

A Adiministração do Sambizanga não recebe curriculum para propostas de candidatura de qualquer um que esteja interessado no projecto. O único requisito, para já, é ser morador do Sambizanga e um dinamizador da comunidade e que participe ainda nas actividades que visam promover o bem e a tranquilidade no meio da população, acrescentou a responsável, ainda de acordo com o Nova Gazeta.