Laboratório de ideias
Empreendedorismo

Faça a parte mais difícil dos negócios

Roche Mamabolo
21/7/2017

Roche Mamabolo

Roche Mamabolo é o fundador da academia LORA - Centro de Inovação e Empreendedorismo, em português, e diplomado em Contabilidade (Honours), Direito Empresarial, Tributação e tem um MBA em Finanças. É também PhD em Empreendedorismo e autor do livro “The Start-Up Revolution: Fit In ou Stand Out”.

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Enquanto muitas pessoas falam sobre o quão bom é começar um negócio, muito poucos são honestos sobre o quão difícil é gerir um. O empreendedorismo foi vendido como uma coisa sexy, rosada e elegante. “Comece um negócio, ganhe muito dinheiro e tenha sucesso”. A verdade é que o empreendedorismo é difícil.

Sempre que leio um livro de gestão ou de auto-ajuda, dou comigo a dizer: "Ok, muito bem! Porém, esta não foi a situação mais difícil que ele encontrou”.

O mais difícil não é definir um grande e audacioso objectivo. O difícil é reduzir as pessoas quando a empresa está a falir.

O difícil não é ter uma ideia incrível. O mais difícil é fazer essa ideia funcionar.

O difícil não é procurar escritórios extravagantes. O mais difícil é produzir o dinheiro da renda num mês com baixa produtividade.

O difícil não consiste em criar planos estratégicos e extragavantes, mas sim em implementá-lo, consistentemente, lentamente, um de cada vez.

O mais difícil não é escrever uma proposta extravagante, mas sim suportar a dor da rejeição e seguir em frente.

O difícil não é contratar pessoas excelentes. O mais difícil é quando esses colaboradores “excelentes” desenvolvem uma sensação de direito e começam a exigir coisas irracionais.

O difícil não é configurar um organograma. O mais difícil é fazer com que as pessoas se comuniquem dentro da organização que se projectou.

O difícil não é sonhar grande. O mais difícil é acordar no meio da noite a suar quando o sonho se transforma em pesadelo.

O mais difícil é olhar para alguém no olho e dizer-lhe que já não tem mais o emprego do qual ele precisa desesperadamente.

Grandes empresários enfrentam a dor. Eles lidam com as noites sem dormir, tremem de frio e passam pelo que o grande Alfred Chuang (lendário co-fundador e CEO da BEA Systems) chama de "tortura".

Sempre que conheço empreendedores bem-sucedidos, pergunto-lhes como conseguiram ultrapassar as situações mais difíceis.

Empresários medíocres apontam para seus movimentos estratégicos brilhantes ou seu senso comercial intuitivo ou uma variedade de outras explicações para se vangloriar.

Os grandes empresários tendem a ser notavelmente consistentes em suas respostas. Todos dizem: "Eu não desisti."

O difícil de coisas difíceis é que não há fórmula para lidar com elas.

As coisas difíceis são difíceis porque não há respostas ou receitas fáceis.

Os problemas são difíceis porque suas emoções estão em desacordo com a lógica.

Os problemas são difíceis porque você não conhece a resposta e não pode pedir ajuda sem mostrar fraqueza.

Os problemas são difíceis porque sua mente diz-lhe para desistir, mas seu coração diz "eu não posso".

O papel de um empresário é lidar com os desafios, com a luta.

O desafio é quando você se pergunta por que começou a empresa.

O desafio é quando as pessoas lhe perguntam por que não desiste e você não sabe responder.

O desafio é quando seus funcionários pensam que lhes está a  mentir e você acha que eles podem estar certos.

O desafio é quando o alimento perde o gosto.

"A vida é luta". Acredito que, dentro dessa citação, a lição mais importante do empreendedorismo é abraçar a luta.

Por cada grande erro que cometer, há uma grande lição para aprender, por isso não perca a lição.

Contribua para o seu negócio, gastando tempo em perguntar e respondendo às perguntas difíceis.

Por fim, tenha uma boa estrutura de suporte, um bom parceiro ou um bom amigo que o verá durante a luta.

O difícil de coisas difíceis é que não há fórmula para lidar com elas.

Não importa quem você é. Precisa de dois tipos de amigos em sua vida. O primeiro tipo é aquele a quem pode chamar quando algo acontecer, e você precisa de alguém que esteja ansioso e torça por si, não falsamente, nem sinta inveja, mas torça por si de forma excitante.

O segundo tipo de amigo é alguém a quem pode ligar quando as coisas derem terrivelmente mal.

A luta faz parte da jornada.

Fazer coisas difíceis é fazer a parte mais difícil:

• Ligar a um cliente que não o tenha pago há muito tempo e ter a conversa difícil;

• Motivar a equipa logo após perder uma grande oportunidade negócio;

• Ter a coragem de continuar em pé, mesmo quando é fácil jogar a toalha ao chão;

• Afastar-se da tentação que o comprometerá moralmente, mesmo que ninguém descubra;

• Fazer o trabalho emocional de olhar a equipa nos olhos e dizer-lhes que não poderá pagar-lhes porque não foi possível facturar em determinado mês.

A concorrência é fazer as coisas difíceis, não a parte fácil. A parte fácil pode ser facilmente terceirizada.

Se não pode suportar a dor, talvez o empreendedorismo não seja para si.

O que é difícil no seu negócio ou no trabalho? Gaste mais tempo fazendo isso. Especialize-se em fazer as coisas difíceis.

Continue em movimento, continue crescendo, continue aprendendo.

Vemo-nos no trabalho.