Laboratório de ideias
Fomento Empresarial

Como incentivar a mente para “Angola Avante, Revolução no Empreendedorismo”?

Jose Carlos Santos
7/8/2017

Jose Carlos Santos

CEO, Touch & Talk

Foto por:
Direitos Reservados

Estamos numa ilha quando se trata de inovação, avanço e negócios que possam de facto produzir uma dinâmica diferente para as Pequenas e Médias Empresas (PME) angolanas e as nossas startups. Contudo, há uma grande esperança de viragem. Estar instalado apenas num espaço de intervenção privado, sem qualquer apoio directo do Estado e das instituições que deveriam ser os dinamizadoras do empreendedorismo, faz-nos crer e ter a sensação que faltam muitos anos até que alcancemos de facto uma velocidade diferente para Angola, o que irá desestagnar o emprego e a estrutura de inovação para o país.

Quando não existe incentivo, e cria-se um vazio de apoio, passamos de forma directa a influenciar a capacidade criativa dos jovens e de empreendedores. As perguntas que permanecem na mente de muitos destes promotores e de startups é quase sempre: vou ter apoio? Vou conseguir capital? Aonde? Como e onde começar? Em que sector não terei concorrência desleal? Posso assegurar que a minha patente vai ser protegida? Os riscos valem a pena? Posso abdicar do emprego seguro? Posso, posso, posso?  Estas e outras serão sempre muitas as perguntas que irão ficar na mente de quem quer de facto montar o seu negócio, prosperar, e ser diferente, mas também são as mesmas questões que o mundo atento sempre coloca para as diversas oportunidades de investimento.

África, com o seu rápido crescimento populacional, a queda dos custos de dados e a forte adopção de telefones celulares, com grande parte do uso de computadores pessoais, é tentadora para todas as empresas de tecnologia mundiais.

Neste caso, como exemplo, este final de mês e muito recentemente, o Google da Alphabet Inc pretende treinar 10 milhões de pessoas em África em skills on-line nos próximos cinco anos, realizando um esforço para torná-las mais empregáveis, como advogou o seu CEO Sundar Pichai. O gigante da tecnologia dos EUA também espera treinar 100.000 desenvolvedores de software na Nigéria, Quénia e África do Sul. Quantos desses desenvolvedores há cá em Angola, e quantos poderiam de facto aproveitar e ser treinados?

O Google disse ainda que oferecerá uma combinação de formação presencial e online, ministrando toda formação em idiomas, incluindo Swahili, Hausa e Zulu e garante que pelo menos 40% das pessoas formadas sejam mulheres. Esta afirmação foi feita durante uma conferência 'Google for Nigeria' na capital comercial, Lagos, 27 de julho de 2017.

África, com o seu rápido crescimento populacional, a queda dos custos de dados e a forte adopção de telefones celulares, com grande parte do uso de computadores pessoais, é tentadora para todas as empresas de tecnologia mundiais. Executivos de multinacionais tecnológicas, como o presidente da Alibaba Group Holding Ltd, Jack Ma, também visitaram recentemente partes do continente, no entanto para já nenhuma paragem foi feita em Angola, nem tão pouco estejamos a fazer a diplomacia de negócios necessária para que consigamos chamar atenção ao nosso potencial em termos de penetração de telemóveis, lançamento de um satélite, mesmo que só existam 5 países africanos com satélites lançados, nem tão pouco a capacidade que a Angola Cables trará para breve, e que precisávamos estar a preparar, não só a nível das grandes empresas locais, mas também destas PME´s que terão a sua navegação e rapidez de internet e acesso a dados com um boom para muito breve. Para isso devemos colocar a seguinte pergunta: para quem investimos?

Podíamos explorar mais a capacidade destes blueoceans fazendo como o Ikenna Azuike (https://www.youtube.com/user/IkennaAzuike), que lançou o  What's Up Africa - Nigéria (em colaboração com a BBC e RNW) que é um canal de notícias satírico criado e desenvolvido pelo mesmo, que fornece um toque humorístico a várias questões em torno da África, incluindo a política e os africanos na diáspora.

Há meses, foi-me sussurrado durante uma visita que estão a ser feitos investimentos para melhoria da tecnologia do YouTube na Nigéria, sendo que já é dos maiores mercados de tráfego e conteúdo fora dos Estados Unidos da América. Nós, infelizmente, já temos esta tecnologia  em Angola, investimos alguns largos milhões de dólares mas não fazemos uso. Entendo que a nossa oportunidade está justamente em divulgar ao mundo todas estas capacidades.

Além disso, o YouTube prepara-se para lançar um novo aplicativo, o YouTube Go, com o objectivo de melhorar a transmissão de vídeos em redes lentas, e os testes estão a ocorrer na Nigéria desde de Junho. A versão final de teste do aplicativo será oferecida globalmente no final deste ano.

Com o espírito de esperança, e como nota final desta análise, creio que uma “Angola Avante, Revolução Inovadora e Tecnológica” é o que precisamos!

Executivos de multinacionais tecnológicas, como o presidente da Alibaba Group Holding Ltd, Jack Ma, também visitaram recentemente partes do continente, no entanto para já nenhuma paragem foi feita em Angola, nem tão pouco estejamos a fazer a diplomacia de negócios necessária para que consigamos chamar atenção ao nosso potencial...