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Emprego

Carlinhos Zassala defende mais empreendedorismo em ciências psicológicas

Sebastião Vemba
17/7/2017

Sebastião Vemba

Foto por:
Andrade Lino

O psicólogo angolano Carlinho Zassala defendeu uma maior iniciativa de empreendedorismo ao nível das ciências psicológicas, pois, para si, ao contrário do que “muitos pensam”, o psicólgo também pode trabalhar como um profissional independente.

“Há muitos que pensam que o psicólogo só pode trabalhar  como um profissional dependente. Ele pode trabalhar também como profissional liberal, conseguindo crédito bancário, abrindo consultório”, defendeu o bastonário da Ordem dos Psicólogos de Angola em entrevista ao ONgoma News, tendo informado que a organização que dirige tem a preocupação de divulgar a cultura psicológica na sociedade angolana.

“Temos encontrado dificuldades porque alguns confundem uma consulta médica de uma  psicológica.  Dificilmente, aqueles  que nos contactam  conseguem  terminar  as suas sessões. Basta participar na primeira, segunda  e terceira,  depois desaparecem porque  tentam  confundir  a consulta médica  com a psicológica. Ora, temos que cultivar o espírito de atendimento psicológico”, disse.

Questionado sobre se as desistências não terão a ver com a falta de condições financeiras dos pacientes, Carlinho Zassala respondeu que sim e que as consultas  psicológicas  são  sempre  caras em qualquer parte  do mundo. “É por isso que, na maior parte das obras profissionais, tanto a nível da CPLP como do mundo, eles [os psicólogos ] recebem  sempre  um apoio do Governo. Significa que beneficiam do estatuto  de utilidade pública  para poderem atender  aqueles  que não têm  muitos recursos financeiros. Então, essa justamente é uma luta  que estamos  a levar a cabo. Hoje vivemos  apenas de contribuições  das quotas  dos nossos membros e de donativos. Não beneficiamos  de nenhuma verba  do OGE, então,  não há possibilidade de podermos  atender  àqueles que não têm recurso”.

Técnicos médios são o motor da economia

Ainda na mesma entrevista, Carlinho Zassala afirmou que nenhuma sociedade poderá desenvolver-se  sem investir  no Sistema  de Educação  e Ensino e que o de Angola “merece uma reforma geral, a partir do Ensino Primário até ao Ensino Superior,  porque cada nível  de ensino  tem objectivos  a alcançar”.

O especialista esclareceu que o Ensino Primário tem como  grande objectivo  o domínio  da leitura, do cálculo  e da escrita, entretanto, lamentou que, infelizmente, nem sempre este objectivo é cumprido.

Para o também docente e pesquisador da área social, há necessidade de se reforçar a qualidade de ensino do nível secundário, por ser o ciclo onde é dada a formação técnica e profissional da força de trabalho activa” e “porque nenhum país se desenvolve apenas com quadros superiores”. Para a fonte, os que fazem funcionar uma economia são os técnicos médios. “Ora, felizmente, já se está a tentar corrigir muitas falhas cometidas ao nível do Ensino Secundário quando, em Angola,  em todas as instituições  existiam  centros pré-universitários (Puniv)  que não davam  nenhuma  formação  profissional aos jovens. Entretanto, aqueles que terminavam o Puniv também não tinham acesso ao Ensino Superior, principalmente na fase em que só existia a Universidade Agostinho Neto”, afirmou.

O especialista esclareceu que o Ensino Primário tem como  grande objectivo  o domínio  da leitura, do cálculo  e da escrita, entretanto, lamentou que, infelizmente, nem sempre este objectivo é cumprido. “O que verificámos é que muitos dos nossos alunos que terminam o Ensino Primário  não têm  o domínio  nem da leitura, nem do cálculo,  nem da escrita. O que significa que não conseguem alcançar os objectivos do Ensino Primário. Essas falhas e lacunas verificadas têm depois repercussões ao nível  dos subsistemas  posteriores: o Ensino Secundário   e o Superior”, apontou.

“Há muitos que pensam que o psicólogo só pode trabalhar  como um profissional dependente. Ele pode trabalhar também como profissional liberal, conseguindo crédito bancário, abrindo consultório”, defendeu.

Para Carlinho Zassala, a aposta no Ensino Secundário é urgente porque é a partir deste nível que deve existir a orientação dos jovens, a fim de poderem formar-se nas várias áreas técnico-profissionais. “Por isso, são necessárias reformas  pontuais  no Ensino  Primário, no Ensino Secundário  e no Ensino Superior  porque, hoje em dia - aliás,  os nossos  altos  responsáveis  já confirmaram  isso -   nós  já formámos  muito  em termos de quantidade, mas, em termos  de qualidade,  estamos  muito distante. Eu não comungo com os teóricos que dizem, primeiro a quantidade, depois, a qualidade. Temos de combinar as duas coisas porque, por exemplo, eu sou um docente que, às vezes, costumo visitar algumas universidades da Região, como a  de Namíbia, Kinshasa, etc. e constato  com muita preocupação  o facto  de o nosso país, até  hoje,  não existir  normas  curriculares  para a formação  ao nível  do Ensino Superior . Não  encontro  outro país  no mundo  onde , por exemplo,  indivíduos  formados  numa mesma área ,  no mesmo  curso,  cada um tem uma formação  diferente. Hoje em dia, o médico é formado na UAN, no Piaget, o psicólogo é formado na UAN, na Unia, todavia, cada um tem uma formação completamente diferente”, lamentou.