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Appy Saúde. A saúde à distancia de um clique

Andrade Lino
17/7/2017

Andrade Lino

Andrade Lino é redator e fotógrafo do Canal ONgoma. Com uma forte sensibilidade artísica, nas artes visuais e música, concilia o trabalho com o curso superior de Língua Portuguesa e Comunicação.

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Criada em finais de 2014 por Pedro Beirão e Jorge Cohen, a Appy Saúde é uma plataforma digital dotada de informações ligadas às unidades sanitárias, nomeadamente hospitais, clínicas, centros de saúde e farmácias espalhadas pelo país inteiro.

Funcional desde Abril deste ano, a Appy Saúde é um aplicativo para consulta de dados relacionados à saúde de Angola, sendo um projecto que surge com a intenção de aproveitar as novas tecnologias e o seu crescimento no país para oferecer aos mais de cinco milhões de utilizadores da Internet em Angola um serviço ágil e útil.

Segundo Pedro Beirão, a necessidade de ser criar o aplicativo ficou ainda mais vincada quando o grupo lançou-se ao trabalho para medir o pulso à quantidade e qualidade da informação sobre clínicas, hospitais, farmácias e outras instituições de saúde por todo o país.

“O que encontrámos foi informação quase ao nível zero e a que existia estava bastante dispersa e desactualizada. Entretanto, na altura, ficámos a saber que havia mais de 5,5 milhões de utilizadores da Internet em Angola e mais de 4 milhões de pessoas a utilizar smartphones, números significativos que justificavam o lançamento do projecto”, refere o co-fundador.

Disponível na Internet para sistemas Android e fácil de ser descarregado, como garante o responsável, numa consulta rápida, o utilizador pode saber quais são as instituições de saúde mais próximas da sua localização, onde se encontram e quais os contactos e especialidades disponíveis.

Pedro Beirão, co-fundador da Appy Saúde "Queremos progredir, dando mais funcionalidades à plataforma"

Pedro Beirão relata que a elaboração do esboço e a definição de processos sucedeu a dura tarefa do “porta-a-porta” para confirmar a existência dessas instituições de saúde ou actualizar contactos telefónicos e que o resultado começou a tomar forma com a elaboração de uma lista de nomes, moradas, telefones e fotos da fachada dos edifícios. Afinados os processos e criado o protótipo, a startup procurou parcerias junto de potenciais financiadores para arrancar com o projecto e colocá-lo na rede.

Com seis funcionários envolvidos no projecto, número que pretende duplicar até o final do ano, até agora, num total de mais de 1.700 instituições, a Appy Saúde conta com a colaboração da SISTEC e também com a disponibilidade das instituições do país, quer no enquadramento do projecto, quer no fornecimento de novas informações que podem até chegar ao detalhe do número de camas disponíveis, nomes dos médicos por especialidade ou da existência de medicamentos em stock nas farmácias.

“O que encontrámos foi informação quase ao nível zero e a que existia estava bastante dispersa e desactualizada. Entretanto, na altura, ficámos a saber que havia mais de 5,5 milhões de utilizadores da Internet em Angola e mais de 4 milhões de pessoas a utilizar smartphones, números significativos que justificavam o lançamento do projecto”, refere o co-fundador.

Neste diapasão, informa a fonte, “foi a SISTEC quem imediatamente se entusiasmou com o protótipo da Appy Saúde e acolheu de braços abertos, tendo-se mostrado disponível desde então, quer no financiamento das diversas vertentes da Appy Saúde, quer no apoio à recolha e actualização da informação porta-a-porta em 12 das 18 províncias do pais, onde tem representação, e está de igual modo pronta para responder aos desafios que se avizinham, mas também assegura estar preparada para avançar para novas parcerias e aproveitar novas janelas de oportunidade para melhorar  a agilidade da plataforma e pensar em retornos financeiros”.

No que toca a retornos, Pedro Beirão afirmou que, pelo facto de ainda se estar na fase embrionária do projecto, é, portanto, cedo para avançar números, mas acredita que poderá haver resultados daqui a seis meses.

“Queremos progredir, dando mais funcionalidades à plataforma e esperamos o completar de um ano para se fazer balanços e, através de dados concrectos, projectar o futuro, sendo que, para já, o foco, em vez de se assentar na rentabilização financeira, deve estar na rentabilização da plataforma, para tornar-se verdadeiramente útil e procurada pelo público”, refere Pedro Beirão. Quando questionado sobre as dificuldades da economia, o empreendedor recorreu a um exemplo de dimensão mundial, que é o caso do WhatsApp, “que não fez um dólar sequer, até que fosse vendido ao Facebook por 22 milhões de dólares”.