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Formação

ALU, uma oficina de líderes e empreendedores

Andrade Lino
11/8/2017

Andrade Lino

Andrade Lino é redator e fotógrafo do Canal ONgoma. Com uma forte sensibilidade artísica, nas artes visuais e música, concilia o trabalho com o curso superior de Língua Portuguesa e Comunicação.

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Criada há três anos, por iniciativa de um empresário ganês, a African Leadership University é uma instituição de ensino superior que pretende desafiar o modelo tradicional de ensino, procurando que, no final da formação, os estudantes saiam com duas bandeiras essenciais: liderança e empreendedorismo, informou jornal Nova Gazeta.

Com um campus nas Ilhas Maurícias e outro no Ruanda, a ser inaugurado em Setembro, a universidade, que ministra licenciaturas em Engenharia de Sistemas Eléctricos, Ciências da Computação, Ciências Sociais e Negócios, propõe-se a criar, até 2025, mais de 20 campus universitários em mais de 20 países, por forma a dotar os jovens do continente de uma formação prática, além de concorrer a resolução dos problemas que afligem África.

... para a frequência de uma formação na ULA, existem duas vias. A primeira, que é mais concorrida, ocorre através das bolsas que no entanto são suportadas pelas empresas com as quais a ALU tem parceria.

Na ALU, ano lectivo tem início em Setembro e uma licenciatura dura de três a quatro anos. Para a selecção dos candidatos, a instituição aplica testes psicotécnicos, com o objectivo de avaliar o pensamento crítico, além de priorizar também os candidatos que tenham feitos trabalhos de voluntariado.

Para os candidatos que precisam de ter o ensino médio concluído, devem entre os 18 e 24 anos e, embora a formação seja feita em Inglês, a universidade não exige o domínio da língua, pois, antes de frequentarem as aulas, os candidatos admitidos passam por um curso intensivo de inglês.

Neste diapasão, para a frequência de uma formação na ULA, existem duas vias. A primeira, que é mais concorrida, ocorre através das bolsas que no entanto são suportadas pelas empresas com as quais a ALU tem parceria. Por exemplo, se uma empresa parceira precisar de quadros na área de Computação e tiver a disponibilidade de garantir a formação dos mesmos, informa à ALU, e esta, por sua vez, percorre as escolas. Os interessados inscrevem-se e são submetidos a testes. Depois de admitidos, o plano curricular de quatro anos prevê estágios profissionais de três meses, que são intercalados com oito meses de aulas de cada ano lectivo.

Em testemunho, Ana Bernardo, de 20 anos, e Abel Kinkela, de 23, são dois jovens angolanos, cuja aposta na African Leadership University levou-lhes a que deixassem as respectivas províncias para frequentarem um curso superior nas Ilhas Maurícias, graças a uma bolsa paga por uma empresa parceira da ALU.

Noutro modelo, o das iniciativas próprias, os estudantes concorrem e, depois de admitidos, têm de arcar com os custos da formação, que rondam os 13 mil dólares anuais, incluindo acomodação, propinas, seguro de saúde e alimentação.

Segundo Isabel Bueio, representante da ALU para a Lusofonia, a ideia é permitir que os estudantes identifiquem um problema que afecte as suas comunidades e procurem apresentar soluções, o que os levaria a criar postos de trabalho, já que não executariam as tarefas sozinhos.

Em comparação com o ensino ministrado em Angola afirma que no sistema angolano “o estudante tem de ler livros e decorar matérias”. “Na ALU, somos obrigados a apresentar algo tangível, pois o ensino está direccionado para a identificação e resolução dos problemas que afligem África”, concluiu.

Em testemunho, Ana Bernardo, de 20 anos, e Abel Kinkela, de 23, são dois jovens angolanos, cuja aposta na African Leadership University levou-lhes a que deixassem as respectivas províncias para frequentarem um curso superior nas Ilhas Maurícias, graças a uma bolsa paga por uma empresa parceira da ALU.

Abel Kinkela, no seu caso, é natural e residente do Zaire, mas foi graças à ida ao Lubango que ficou a saber da ALU, durante uma palestra no Instituto Superior da Huíla, onde frequentava o 2º ano de Ciências da Computação.

Na ocasião, Abel Kinkela informou-se sobre os critérios para adesão aos cursos da ALU, candidatou-se e foi seleccionado, tendo seguido no mesmo ano para as Ilhas Maurícias, onde frequenta o mesmo curso que frequentava no Lubango.

“A diferença é enorme! Em Angola, limitava-me a escutar o que os professores diziam na sala de aulas, sem ter acesso a um laboratório. Na ALU, a formação envolve muita prática”, explica o estudante, que regressou a Angola para frequentar um estágio profissional de três meses, numa empresa internacional de consultoria, com escritório em Luanda, ao abrigo do que prevê o plano curricular.

De regresso está também Ana Bernardo, que frequenta a licenciatura em Gestão de Empresas. “O método de ensino da ALU faz com que o estudante se descubra e use da melhor forma o seu potencial”, assegura. Em comparação com o ensino ministrado em Angola afirma que no sistema angolano “o estudante tem de ler livros e decorar matérias”. “Na ALU, somos obrigados a apresentar algo tangível, pois o ensino está direccionado para a identificação e resolução dos problemas que afligem África”, concluiu.